20 de novembro de 2016

Criar junto é mais poderoso

Possivelmente se você trabalha em algum ambiente de criação, seja ele escritório, estúdio, agência, enfim, precisa criar constantemente. E dependendo do seu tempo de mercado, deve ter técnicas, métodos ou ”bardas” criativas para tal, mas já se deu conta do quanto a cocriação pode ser mais prazerosa e o quanto ela pode potencializar os resultados?

Nesse artigo trago minha visão da força da cocriação. Mas inicialmente é importante deixar claro que quando falamos em cocriação, não estamos tratando de colaboração, onde eu pergunto opiniões a colegas ao meu lado. Falo de criar junto, junto mesmo. Um Megazord criativo!

Cocriar é compartilhar

No início, compartilhar com as múltiplas ideias que surgirão desse grupo multidisciplinar e, no final do projeto, com o prazer coletivo no sucesso do mesmo e no feedback e aprendizado do processo. A cocriação trará aos responsáveis um sentimento de pertença e todo esse sentimento coletivo será compartilhado com muito mais sentido.

Washington Olivetto possui uma frase onde ele trata:
“Prefiro ser coautor de uma ideia brilhante, do que autor solitário de uma ideia medíocre”.

É bem isso, quando pensamos juntos, compartilhamos e somamos nossas experiências, gostos e repertórios, afim de se conectar ao projeto. Quando pensamos cocriativamente estamos unindo competências diversas e não é a toa que abordagens como o Design Thinking a utilizem como seu tripé, aliando cocriação a empatia e a experimentação constante.

A criatividade é um eterno exercício de apego e desapego

Um círculo constante e contínuo, onde você precisa assimilar as ideias, testá-las dependendo o projeto e desapegá-las. Possivelmente aquela primeira seja uma maçã com galho e folha, como já tratado no artigo anterior, mas com mais mentes pensantes, será fácil fugir do óbvio, ou bem, deveria.

Desapegar não é fácil, pois somos humanos e com isso, egoístas por natureza, mas aplicar o desapego é um exercício importante para que a cocriação aconteça. Possivelmente desde o colégio, na faculdade e no ambiente de trabalho, você deve ter feito algum projeto com alguém que trabalhava em conjunto, mas agia individualmente, não escutando e apenas defendendo unicamente sua própria ideia. Eu nunca disse que seria fácil cocriar, mas é necessário um exercício constante. As pessoas não estão acostumadas a isso. Também é fácil encontrarmos pessoas que falam em cocriação, mas que não a aplicam, querendo o reconhecimento apenas para si.

Saber desapegar não significa sempre ceder, é muito importante entender que uma ideia precisa ser defendida, e se coletivamente ela for entendida, fortalecida, quem sabe essa é a hora de parar. Mas esse pode ser um assunto para outro post. O que acha?

Para se cocriar, é interessante que possamos utilizar mentes divergentes no processo

Mas Diego, eu sou freelancer, atuo sozinho, como eu faço? Traga o cliente, o fornecedor, ou se trabalha em empresa, outros setores para somar com suas ideias no projeto. Muitas vezes esbarramos na agenda de cada um, na disponibilidade ou até no entendimento de como eu posso ser útil, mas isso não pode ser desculpa para o “não dá“. Tente!

Você diretor de arte, já pensou em chamar a mídia/produção para um brainstorm daquele projeto? Você designer, já pensou em ir até o cliente para aplicar alguma técnica criativa com ele?

Daí os céticos dirão: “Mas se eu colocar o cliente no processo ele vai achar que não precisa mais de mim“. NÃO, não pense assim!
Acredito que cada vez mais, designer, publicitários, arquitetos e todos que trabalhem com projetos criativos, devam ser mentores cocriativos, sabendo guiar eventos criativos, rodadas de discussões, técnicas e processos que integrem essas múltiplas mentes pensantes.


Você não (en)trega um resultado que o cliente pediu simplesmente, você (in)tegra ele no processo, gera sentimento de pertença, guia e mostra o quanto você e sua equipe são importantes para o negócio dele.


Quando falamos de múltiplas cabeças pensantes, estou tratando de stakeholders, ou seja, todos os possíveis envolvidos no ecossistema do projeto, com isso, até mesmo os consumidores finais podem estar junto com a equipe de criação para alguma rodada criativa. Se queremos cada vez mais entregar experiências aos consumidores, por que não ouví-los e entendê-los?

Com isso, no próximo trabalho criativo que você iniciar, veja as possibilidades de fortalecer a cocriação na equipe, o engajamento de seus stakeholders. Tente não fazer ou iniciar aquele job sozinho, ser um Power Ranger solitário. Defina uma etapa para cocriar, experimente compartilhar ideias e com isso, comemorar junto o sucesso delas. Tente abandonar seus vícios criativos e desapegar, desapegar e desapegar.Perceba o quanto você pode ganhar tempo em um processo cocriativo. Tente criar junto e sinta o quanto é gratificante quando uma equipe comemora o sucesso coletivo de algum projeto ou conquista.

Termino esse texto com um trecho da música Prelúdio de Raul Seixas:

“Sonho que se sonha só/ É só um sonho que se sonha só/ Mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Prelúdio é uma música muito curta, mas com um significado gigantesco. A força do coletivo pode mudar e transformar uma cultura e pode potencializar a criatividade. O que acha de ressignificar essa frase, para Projeto que se cria só, é só um projeto que se cria só, mas projeto que se cria junto potencializa a criatividade. Além de que, é muito mais gostoso e recompensador.

Experimente!

Comentários 0

Deixe o seu comentário!

Mais Blog