29 de agosto de 2016

[canvas] Método de tradução Intersemiótico

Processo que une etapas de projeto para geração de ideias e alternativas por meio da abordagem intersemiótica.

Você que é designer, diretor de arte, ilustrador, já se deu conta que é um tradutor? Sim, você é um tradutor de significados, ou melhor, um tradutor intersemiótico. Mas o que nos torna tradutores? Me encaixo nessa turma também e explicarei nesse post.

Sabe aquele livro que você terminou de ler no final de semana e que depois se tornou filme? Sabe aquela HQ fantástica que virou filme? Não importa agora se são boas ou não, se você gostou ou não, o que importa é entender que essas adaptações fazem parte do que chamamos de tradução intersemiótica. Podemos pegar como exemplo a obra Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin, traduzida de livro para série no canal HBO e para HQ. Nas três mídias, percebemos três diferentes possibilidades e características. Se você iniciou pelo livro, criou em sua mente uma personagem diferente, ou até muito próxima da que foi idealizada na série ou HQ. Se fez o processo contrário e iniciou pela série, já terá um condicionamento de signos pré-estabelecidos que o farão imaginar o mesmo personagem ao ler o livro.

Para chegar a um processo de tradução intersemiótica, indiferente se você precisa produzir novas capas para uma coleção de livros, um comercial de TV a partir de um roteiro, ou a criação de uma personagem por meio de um briefing, você passará por seis etapas bem distintas. Utilizo esse método em meus trabalhos e junto aos meus alunos e orientandos em seus processos de tradução, o que o tem validado e evoluído nesses anos como profissional da área e professor/pesquisador.

Antes de tudo, é importante observar os três pontos semióticos que constituem um signo. A tabela abaixo referencia a estrutura icônica, indicial e simbólica, e as divide em suas categorias.

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Ao realizar uma análise semiótica dos signos, é importante considerar todos os aspectos semióticos envolvidos nos sistemas em estudo e estabelecer assim, até que ponto a interpretação está intrínseca no processo de reconhecimento e adaptação do conteúdo.
Aplicando essa teoria aos métodos de design, tem-se um modelo sistêmico de processo.

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Observando o esquema de tradução, podemos dividí-lo em seis partes, desde a necessidade do projeto, ou seja, aquela em que o briefing é passado, a etapa final de validação, nutrindo de informação novos projetos a serem feitos.
Para chegar a um processo de tradução intersemiótica, indiferente se você precisa produzir novas capas para uma coleção de livros, um comercial de TV a partir de um roteiro, ou a criação de uma personagem por meio de um briefing, você passará por seis etapas bem distintas. Utilizo esse método em meus trabalhos e junto aos meus alunos e orientandos em seus processos de tradução, o que o tem validado e evoluído nesses anos como profissional da área e professor/pesquisador.

Etapa #01 – Necessidade do projeto
Primeiro você precisa conhecer e analisar o texto a ser traduzido, buscar mais informações sobre e se nutrir do briefing. Em um caso de um projeto gráfico de um livro, a leitura do mesmo ou do capítulo selecionado pelo próprio autor é muito importante. Pesquisas complementares são fundamentais nessa etapa.

Etapa #02 – Síntese
Após isso, é necessário gerar uma síntese da leitura e do texto. Inúmeras técnicas podem auxiliar nesse processo. Gosto muito de utilizar a ferramenta de mapa mental (mind maps) para selecionar as principais palavras-chave da história, ou do roteiro a ser traduzido. Outra ferramenta que auxilia nesse processo é oMany Eyes da IBM, desenvolvido pela pesquisadora brasileira Fernanda Viegas. Nele é possível sintetizar dados de texto ou de números possibilitando uma melhor compreensão dos mesmos. Aqui, dependendo do tipo de tradução, são coletados de cinco a dez conceitos e palavras-chave que nortearão todo restante do projeto.

Etapa #03 – Definição da mídia/plataforma
Caso não esteja detalhado no briefing, a definição da mídia a ser trabalhada precisa ser definida aqui. Se você precisar fazer uma capa de revista com base em uma matéria, ou um comercial de 30″ com base em um roteiro, precisa conhecer os limitadores e as possibilidades que essa mídia lhe oferece. Tamanhos, definição, dinâmica, cores, material, estrutura, som, interatividade, tudo isso pode agir a favor ou contra o seu trabalho, dependerá de você.

Etapa #04 – Painéis semânticos
A quarta etapa é a criação de painéis semânticos para organizar as informações referenciais de cada signo. Em um processo de tradução de um poema para um projeto de design de superfície, por exemplo, os painéis são importantes para ditar traços marcantes, cores e conceitos visuais. Os painéis são os primeiros elementos de representação nesse processo. Podem ser construídos com imagens de revista, na internet, desenhos, materiais do cotidiano, e tudo que possibilite uma representação visual dos conceitos e palavras-chave.

Etapa #05 – Conceitual + visual + material
Com base nos dados coletados, é definida uma tríade composta do conceitual, visual e material. O conceitual é onde será defendido o projeto, suas diretrizes e pré-definições. No visual, os roughs (raffs), desenhos, escolha de tipografia, ilustração e todo tipo de grafismo do objeto traduzido. Por fim, o material, fazendo relação com o objeto tangível, como no caso da capa de um livro, que recebe um verniz localizado ou um alto relevo especialmente por conta do tipo de história ou contexto.

Etapa #06 – Versão final
A sexta e última etapa é a geração de alternativas e escolha do resultado final. Este, por sua vez, precisa ser validado com possíveis usuários e consumidores. A importância do feedback se dá para corroborar se os mesmos terão todos os entendimentos necessários da peça criada, além de trazer mais referências para futuras criações na mesma área.

Muito provável que você já tenha passado por situações semelhantes, ou possui sua própria metodologia de tradução. Isso é natural pois cada profissional possui sua metodologia e procedimentos mais adequados para cada projeto. Além disso, essa metodologia não precisa ser aplicada de forma totalmente linear. Sabemos o quanto nossa mente funciona não-linearmente e pensaremos de forma simultânea em algumas etapas.

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O Canvas anexo sugere uma sistematização dessas etapas, auxiliando você na construção de novas ideias e soluções por meio de mudança de linguagem verbal e não-verbal. Compartilhe suas sugestões e aplicações com a gente e comente como nós, designers, publicitários, ilustradores, podemos ser melhores tradutores no dia a dia profissional.

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