18 de outubro de 2016

Sobre maçã e criatividade

Você se considera criativo? Você tem ideias criativas?
Para iniciar esse post, vou pedir para que você faça um pequeno teste.

Em qualquer papel que estiver na sua frente agora, com uma caneta mesmo, desenhe uma maçã, a primeira que vem a sua cabeça.
Vou esperar aqui e contar até 10.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, tá quase, 9 e 10!!!

Pronto? Desenhou?
Espero que sim, pois isso será importante para o que vou tratar agora. Isso não é truque de mágica, nem adivinhação. Mas a sua maçã ficou parecida com essa? Clique aqui!

Clicou? E então? Ficou parecida? Sua maçã possui um galho e uma folhinha?
Se sim, parabéns. Você pertence a 90% de um grande grupo que desenha maçãs com galho e folha. Mas o que isso tem a ver com criatividade? A pergunta que quero colocar para você é a seguinte. Por que praticamente 90% das pessoas desenham esse modelo de maçã?

Isso tem a ver com consciência coletiva, que o sociólogo francês Émile Durkheim desenvolveu uma ampla teoria. Se desenhamos assim, igual os outros, significa que nosso significado para palavra maçã já esteja bem estabelecido no nosso consciente, mas também no de nosso colega, vizinho, amigo…  O que aprendemos e retemos de códigos culturais ao longo da nossa vida forma essa consciência, e estando dentro de uma sociedade, você fará parte dela, de seus códigos, hábitos, valores, crenças… cultura! Quando você vai a feira ou ao mercado, não encontra maçãs com galhos e folhas. Mas desde sua infância, foi apresentado a essa representação, pois ela passa sensação de novo, saudável, fresco. Você viu nas histórias em quadrinho da Turma da Mônica, nos desenhos animados, na apostila do colégio, em embalagens… viu e absorveu esse signo como a representação direta.
Faço esse exercício com meus alunos na graduação e nos treinamentos que aplico, e o grupo dos que fogem do senso comum, geralmente desenham ainda uma maçã com galho, ou incrementam alguns detalhes, como bicho, mordida, e até árvore! Desenhar uma maçã com um galho e uma folha não significa que você é menos criativo, ou que deva desanimar. O que importa é perceber que a primeira ideia, muitas vezes pode cair no senso comum, e se você está buscando a criatividade ou algo inovador, esse não será o caminho a trilhar.

Então, começo a perguntar. O que nos faria pensar além de uma maçã com galho e folha? O que nos faria entrar em um universo de possibilidades?

Tipos de maçã

Gosto de trabalhar com dois pontos para formar o consciente individual. Um de referência, que nutre um repertório e o outro de treino que gera possibilidades. Criatividade não é dom e muitas vezes precisamos racionalizar as coisas.

  1. Referências para construir um repertório particular. 
    Se você estuda design, publicidade, cinema, não leia apenas isso, não busque nutrir seu repertório apenas com isso. Leia livros diferentes, faça viagens para lugares novos, tente e teste receitas difíceis. Construa um repertório que vá além das timelines de Facebook, Pinterest e Instagram, e mais além de Behance e Netflix. Vá além desse post. Experencie outras coisas, não se contente com a primeira opinião, questione, seja curioso, que a cada dia, isso fortalecerá seu repertório individual.
  2. Treino e prática para gerar possibilidades.
    Treine e treine muito. Coloque suas ideias no papel. Geralmente a primeira ideia será uma maçã com galho e folha, igual ao da grande maioria. Vá além de uma tentativa, um desenho, faça muitos raffs, muitos esboços, use o lápis e o papel a seu favor e treine. Técnicas criativas podem ser aliados importantes nesse processo. O Mapa Mental é um exemplo fantástico e que em poucos minutos pode te auxiliar muito a racionalizar possibilidades para novas ideias. E depois disso tudo, você olhar para primeira ideia e falar “mas ainda continua sendo a melhor”, todo esse trabalho valeu a pena para confirmar isso.

Ter uma consciência individual de signos e repertório próprio é extremamente positivo para criatividade, pois isso somado a outras pessoas, pode impulsionar a inovação em grupos multidisciplinares. Poderiamos falar de outros pontos, como colaboração e cocriação, experimentação, conexões e outros condutores de criatividade, mas deixarei isso para outro post. =)

Essa analogia da maçã é pertinente pois quando falamos em design, tecnologia e inovação, muitas vezes lembramos da marca Apple, que ilustra esse post. Issac Newton teve uma ideia advinda de uma maçã na sua cabeça (alguns falam que essa história é mito). Mas o que possivelmente Steve Jobs e Newton tinham em comum era a construção do repertório particular e do tentar e testar. Leiam um pouco sobre a vida e obra deles, vale a pena.

Uma indicação que converge com esse assunto é a obra de Dan Roan, que escreveu um livro, publicado recentemente no Brasil sobre como colar as ideias no papel, ou melhor, no guardanapo, no Brasil com o título Desenhando Negócios. Uma excelente leitura para quem quer ir além e fazer suas ideias acontecerem nos negócio e apresentações.

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Finalizando, perceba que mudar, inovar, defender uma ideia criativa, dentro de uma sociedade ou um grupo social, não é fácil, pois a sociedade nos força de uma forma invisível a seguir inúmeros padrões, e além disso, nos faz sentir como parte de um todo estruturado, gerando dependência da e uma zona de conforto e de pertencimento a esse grupo essa sociedade. O novo gera desconforto, desconfiança, medo.
Criar é sair do senso comum e possivelmente, formar novos caminhos, com novas ideias e costumes. Criar e inovar é tornar ações e ideias, em cultura, seja coorporativa, social, educacional.

Abordaremos mais sobre isso nos próximos posts.

Espero que esse post tenha te instigado a questionar e ir além de maçãs com galho e folha. Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos para que eles também possam ter mais experiências criativas!

=)

Comentários 2
18 de outubro de 2016 às 13:00

Interessantíssimo, Diego! Esta via de pensamento me remete também às ideias simples que nos fazem cair na mesma resposta de outra pessoa, e tornar o projeto um plágio – ainda que nunca se viu o objeto “plagiado”! Pra pensar e criar “fora da caixinha” não dá pra ficar parado e se contentar com mais do mesmo.

18 de outubro de 2016 às 13:00

Muito bom o post! Enquanto estava na faculdade tive contato com esse pensamento sobre a criatividade e inovação, mas parece que quando se entra no mercado onde tudo é padronizado, isso vai se perdendo. Mas esse post refrescou isso na minha cabeça, pois é assim que eu penso que tem que ser. É difícil as vezes defender uma ideia inovadora por que a maioria tem medo de sair da mesmice, mas gosto de pensar que quando sento para criar, é para ser algo realmente inovador e diferente do comum. Enfim, vou lembrar mais dessas dicas por que sempre odiei seguir o senso comum hehe.

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